quinta-feira, 24 de novembro de 2011

As roupas apertam
As fotografias envelhecem
Reviradas nas gavetas
As dores padecem
E entregues ao mar, as mãos
Lambidas no vai e vem das ondas
Vão-se os anéis e o peso perece

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Esboço de uma outrora eu

Vazia, seca, faminta
Oca é a árvore da inspiração
O desejo me consome
tal qual o fogo lambe a casa do ego
e a língua pesa
torpe...
Tamanho peso de um cérebro paralítico,
de um morto coração!

quinta-feira, 28 de julho de 2011

NA VEIA (2)

Eu pedia sua presença e você ia e vinha, entre um resfolegar e outro e suores aromáticos, nas pausas da ilusão do silêncio, no escorregar do teclado, vestida de feromônios cruéis. O falsete não ensaiado, a prostração da boca, o arregalar do palato. A luta do branco contra o preto dilatado da pupila. Grita que é livre e, nas costas nuas, os lugares vários frequentados, estampados nas tatuagens, cravados nas cicatrizes. Não sei se as costas sentiram o frio do chão ou do teto, sei que minhas lágrimas molharam os dois...

sexta-feira, 22 de julho de 2011

SUMO SACRIFÍCIO

Pra arrancar qualquer ideia digna
o cérebro aperto
Se espreme com mais força
a segunda banda do limão...

Do sumo, apreendo a derradeira gota

Gota impossível
intransponível ao papel
Repleta do sumo silêncio...

Impossível torná-la arte
pois é arte por si só...
E como coisa viva,
na partida,
sacrifícios e limitações repele

terça-feira, 10 de maio de 2011

IR IR IR

Queremos água
casa comida carro
trabalho
'caraio'
quantas coisas!
corpo pra dividir
muros pra derrubar
sonhos
pra rasgar reconstruir ir
ir ir irrr
e vai
quando vê
Já foi

segunda-feira, 25 de abril de 2011

É TUDO OU NADA

Vida é batalha constante
diária
Entra um após outro
Sai dividido
Andam dois, passam três
Quantos milhões

Vão e vem formigas;
absurdos;
complexos e contrastes;
macro
e micro-organismos...

Nada é inocente

Na selva, nas calçadas
É apontar o céu
e dormir em pedaços
de papelão
Tudo tão dissimulado
escancarado
ao mesmo tempo
E confundem liberdade
com queimar o próprio filme...

Tudo é tão nonsense

segunda-feira, 14 de março de 2011

A Lua Espera

O dorso do cachorro
falhado, em carne viva
Lembra as crateras lunares
geometricamente encolhidas
Ela resta no céu, ao leste,
no pano de fundo da varanda
aberta

É testemunha do corpo sentado,
de corpete,
que esqueceu a meia sete oitavos
mas decorou uma lista
de coisas triviais
e ordinárias

Comeu um pouco da pele
em torno da unha
Rolou os dados mais uma vez
Voltou a jogar só